quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Temores ...



Envoltos pela névoa de linho os amantes se olham indescobertos…
Envoltos por sins e temores os amantes se tocam cautelosamente…
Envoltos por olhos ardentes… os amantes se desejam misteriosamente…
Envoltos… no quarto fechado há um não sobrar de espaço para dois
As palavras sussurram delicadamente prazeres inconfessáveis e não ditos Mãos espalmadas em busca de espaço desafiando as leis da física… Pernas, ora trançadas ora retesadas… querendo quebrar todos os limites Bocas em beijos, em cada milímetro… engolindo toda a possível resistência
Entre lençóis, os amantes se esquecem eternamente do tempo …
Para quê tempo? se, entre lençóis, eles vivem tão intensamente?…
E… bem cá entre nós – Para quê mais os lençóis?…



Djalma Filho

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha




Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus barcos…
Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca… o eco dos teus passos…
O teu riso de fonte… os teus abraços…
Os teus beijos… a tua mão na minha…
Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri
E é como um cravo ao sol a minha boca…
Quando os olhos se me cerram de desejo…
E os meus braços se estendem para ti…

Autoria de Florbela Espanca

CONFISSÃO

Que esta minha paz e este meu amado silêncio
Não iludam a ninguém
Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta
Nem tampouco a paz compulsória dos cemitérios
Acho-me relativamente feliz
Porque nada de exterior me acontece...
Mas,
Em mim, na minha alma,
Pressinto que vou ter um terremoto!

Mario Quintana

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015